Olá, amigos
Na quentíssima edição 25, que chegou da gráfica hoje, o caro leitor pode ler o quinto capítulo do folhetim "Vida Dupla". Você, internauta esperto que visita a página virtual do bizarro No Entanto, tem neste post a honra de ler todos os capítulos das aventuras do "o-que-é-isso-amoroso" do nosso jornal experimental.
Parte 1
por Aline dias e Gabriela Zorzal
Léo acordou atrasado. Nada anormal, tirando algumas marcas roxas no seu corpo. Enquanto tentava descobrir de onde elas tinham vindo, D. Lia, sua mãe, entrou no quarto:
- Filho, a Ana tá lá em baixo.
- Manda esperar - Ele disse, mal-humorado. Por que aquela louca insistia em persegui-lo?
Lá em baixo, Ana estava ansiosa lembrando os beijos do dia anterior. Logo Léo desceu as escadas. A moça quase entrou em transe enquanto ele vinha; moreno, alto, cara de mau. Ela tinha espasmos mentais pensando que aquele era seu homem.
- O que você quer?- ele perguntou, frio.
- Combinamos de irmos juntos pra aula.
- Combinamos?
- Sim. Não gosto dessas suas brincadeiras.
- Não estou brincando. Só não lembro.
- Deixa pra lá. Vamos.
- Não. Vou ver a Bel.
- Você marcou comigo!
- Você é louca! Não entendo por que inventa essas coisas.
- E eu não entendo sua cabeça!
- É melhor você ir.
- Não vou! Foi você quem me chamou aqui!
- Então eu vou! – ele disse antes de bater a porta e seguir para a UFES com o estômago roncando.
D. Lia, que tinha ouvido tudo, foi amparar a moça, como de costume. Mas, era diferente. Ela sabia que, se não agisse, perderia a melhor nora que já tivera. Então, pediu à Ana que se sentasse e finalmente contou tudo.
*
Léo pensava que Bel tinha sido talhada em seu molde. Era linda e os dois combinavam. Naquele dia, ele levou-lhe uma flor. Quando estavam juntos, tudo parecia sonho.
*
No ônibus, Ana tentava entender as coisas. Elas até faziam sentido, mas tudo ainda era estranho. As atitudes de Bel, porém, soavam mais sensatas.
Ana sabia do caso da rival com Tom. Será que Bel sabia de algo sobre Léo? Sentiu que devia procurar a outra e botar tudo em pratos limpos. Faria isso quando chegasse à UFES. Era urgente.
Desceu do ônibus e viu Laís, amiga de Bel, que disse que ela estaria no DCE.
Ana sempre questionara a amizade das duas. A UFES inteira sabia da paixão de Laís por Tom.
Seguindo pelo estacionamento do Metrópoles, Ana viu o carro de D. Lia. Ela ainda se lembrava de tudo o que fizera ali.
*
Bel não estava no DCE. Ana a procurou em todos os locais possíveis.
Como o assunto não podia esperar, gastou os últimos créditos do celular com a outra.
O telefone começou a chamar e Ana ouviu o mugido de uma vaca. Não era uma vaca. Era o toque escandaloso do celular de Bel que qualquer um sabia reconhecer.
Ela estava ali perto.
Guiada pelo som, Ana andou até o corpo morto de Bel. O celular ainda tocava, ou melhor, a vaca ainda mugia. Bel estava ali, caída e suja de sangue. O mesmo que manchava uma rosa branca ainda em sua mão.
Ana então se lembrou de D. Lia contando que Léo tinha dupla personalidade.
*****
Parte 2
por Shamylle Alves e Anna Karla Lerbach
Ana ainda não podia acreditar que Bel havia morrido. Em casa, tentava colocar seus pensamentos em ordem. Uma vaca mugiu a seu lado, era o celular de Bel. “Alguém deve estar à procura da defunta”, ela pensou ao pegar o celular e desligar, sem ver quem era.
A garota deitou na cama, a cabeça doía. Naquele dia fizera muitas tolices: trazer o celular de Bel consigo, jogar o corpo no lago...
Estava comprometida até os fios de cabelo que estavam por nascer.
Ela chorou, chorou e chorou. E depois de algum tempo, conseguiu pegar no sono.
Vermelhou no curral, a ideologia do folclore avermelhou..., sim, o celular de Ana tocava. A menina, ainda grogue de sono, olhou para o relógio e viu que dormira demais.
-Alo? – perguntou sonolenta.
-Ana?
-Léo?! – gritou a moça, despertando na mesma hora.
-Oi amor! Por que você não vem aqui em casa...?
-Com certeza – concordou prontamente – estarei aí agorinha.
Ana estava nas nuvens. Léo a convidou para um programa a dois. Arrumou-se impecavelmente, e, toda serelepe, foi ao seu encontro.
*
Léo estava diferente. Desde que Ana chegara não dera nenhuma patada... Estava irreconhecível. Mas Ana não ligava para isso, quando estava com ele, era como se seus olhos fossem vendados e ela fosse apenas guiada por seu amor. Ela era um daqueles casos crônicos de mulheres que amam demais.
-Tá com fome, minha linda?
-Um pouco – respondeu ela encantada.
Chegando à cozinha, Ana se deparou com uma infinidade de comida cobrindo a enorme mesa.
-Mamãe está cozinhando que nem louca desde ontem. Ela faz isso para ocupar sua cabeça, acho. – Léo disse, dando de ombros. Ana também deu de ombros. Nada importava. Nada estava estranho.
O dia passou e, pela primeira vez, Ana e Léo tiveram um típico programa caseiro de namorados apaixonados. Resumindo, dia perfeito.
Para fechar com chave de ouro, à noite, o casal foi à Rua da Lama tomar um ar e ver a galera. Sentaram-se numa das mesas da Adega e trocaram carinhos e sorrisos em público. Amigos e conhecidos que passavam por perto se espantaram, mas ninguém comentava.
Laís e Tom também estavam por lá, na mesa ao lado. Demonstravam tanto afeto e amor quanto o outro par. Ana estranhou aquilo por um segundo, eles nunca tinham sido disso, mas logo desencanou. Se as coisas tinham mudado para ela e Léo, porque não mudariam para eles?
Naquele dia, nada foi igual. Talvez tenha sido o assassinato, quem sabe? Ou apenas era a florzinha do amor que estava florescendo no coração de todos daquela ilha chamada Vitória...
*****
Parte 3
Por Natasha Siviero e Simone Azevedo
*
O telefone tocou e continuaria. Normalmente, D. Lia não perderia o ponto do bolo para atendê-lo. Mas o barulho da batedeira não abafava a insistência do toque infernal. Atendeu disfarçando o nervosismo da voz.
_ Alô.
_ Sou Lena, mãe da Bel. Desculpa ligar essa hora, mas estou preocupada. Ela não voltou para casa ontem.
_Ué, ela e o Léo foram passar o fim de semana nas montanhas.
_ E ela não me avisa, não atende o celular e me deixa desesperada.
*
Tom pedira a conta, mas a noitada na Lama não acabaria ainda.
_Laís, marquei com a galera no Sinucar. Bora?
_Ah não, Tom. Lugar tão chinfrim.
_Caralho! Sempre com essa fala de patricinha.
_Ah, se fosse a Bel aceitaria na hora. Inclusive, seus amigos devem estar esperando pela queridinha de todos.
*
Léo ouviu a idéia de Tom. Gostou. Apressou-se em terminar o chope e chamou Ana para jogar sinuca. Ela, que não sabia jogar, não entendeu o entusiasmo dele.
_Léo, vou pagar mico. Não sei jogar.
_Ah, sabe sim!
Ana só entendeu o sorriso malicioso de Léo quando viu a entrada do motel.
_Associação besta do jogo com – nem terminou de falar quando viu a mesa de sinuca no quarto.
Frenético, Léo levantou Ana pelas pernas e a colocou sentada sobre a mesa. Os beijos se tornavam cada vez mais provocantes. Ana tinha um ponto fraco no pescoço e ele sabia. Léo sentiu uma vibração na calça. D. Lena ligava insistentemente para o celular. Ele olhou no visor e se apressou em desligar, retomando com Ana de onde parou. Ela o puxou pela nuca forçando um olho no olho.
_Eu seria capaz de morrer e matar por você.
_Mentira...
*
D. Lena precisava falar com Bel. Seu coração de mãe estava apertado. Tentava o celular de Léo quando o telefone de casa tocou. Era da delegacia. Acharam o corpo de sua filha no lago do CCJE.
*****
Parte 4
Por Kássia Salazar e Rafaella Rodrigues
A notícia da morte de Bel deixou D. Lena em estado de choque. Onde estaria Léo? Tentava achar explicação para tanta crueldade... O corpo da sua pequenina num lago?! A primeira reação foi ligar para D. Lia.
_Mataram a Bel? - Perguntou D. Lia, com uma voz trêmula.
_Quem faria isso com uma garota tão boa? Tentei ligar para seu filho...
D. Lena, aos prantos, queria acreditar que a filha chegaria com Léo do fim de semana nas montanhas.
*
No motel, o casal vivia uma noite que há tempos ela desejava.
Vermelhou no curral, a ideologia do folclore avermelhou...
_Meu celular! Calma... _ Ana disse.
Ela pegou o telefone e viu o número do celular da Bel no visor. Mas, antes que qualquer reação fosse possível, Léo jogou o celular na parede:
_Tá maluca? Agora você é minha e só faz o que eu mandar!
Naquele momento, Ana foi tomada pela lembrança do dia anterior. Não parava de pensar no corpo frio e cheio de sangue da rival. Queria fugir dali. Porém, nada no mundo era melhor que aquele momento.
*
Na volta para casa, Ana olhava Léo e tentava aceitá-lo. Ele falava que ela era sua mesmo já a tendo desprezado. Como confiar em alguém com dupla personalidade? Sorriu. Sem Bel, tudo seria mais fácil.
Mas, quem teria ligado para ela?
*
Ao chegar em casa, uma surpresa ...
_Quanto tempo! Vim passar uns dias em Vitória. Esse celular é de alguma amiga sua? Liguei dele para você. Que saudade!
Ela não podia acreditar. Era Lipe, o MA-RA-VI-LHO-SO primo surfista de Floripa. O primeiro amor, o primeiro homem... Muitas coisas poderiam mudar...
*****
Parte 5
Por Janaina Thainá da Silva e Sylvia Ruth
Tom, angustiado, foi conversar com Laís.
- Você já tá sabendo? – Perguntou ele.
- Da Bel?
- Claro, de mais quem seria?
- Ah, sim.
- E já foi lá? Fica feio não ir.
Ela demorou em responder.
- Odeio velórios.
*
Na casa de Ana, a moça não sabia o que dizer a Lipe. Na verdade, não conseguia sequer olhar aqueles maravilhosos olhos azuis em que já se perdera incontáveis vezes.
*
O telefone toca. É Léo, com a notícia que Ana já esperava. Respirando fundo, Ana tenta aparentar surpresa. Já Léo, parece enlouquecido.
- Não sei o que houve, Ana!
- Também não sei, amor.
- Ana, você sabia dela e do Tom? Só eu não!
- Não sabia, Léo. Como ela pôde? – Dissimulou.
- Acredita? Logo o Tom! – Esbravejou.
Desligando o telefone, Ana contou da morte de Bel a Lipe como quem conta que o peixe do vizinho morreu, e eles continuam a conversar, o rapaz até esquece do tal celular sem-dona.
*
Na casa do Léo, D. Lia, preocupada, decide tomar um comprimido para se acalmar. D. Lena toca a campainha.
- Lia, não consigo suportar isso! Quem fez aquilo a minha menina? – Indaga.
D. Lia, suando frio, balbucia qualquer coisa, não sabia o que responder. Para sua salvação, Léo abre a porta. D. Lena corre em direção a ele.
- Léo, o quê aconteceu depois que vocês voltaram das montanhas?
Léo, espantado, responde: - Mas nós nunca fomos às montanhas.
Imediatamente, D. Lena volta o seu olhar em direção à D. Lia. O copo que estava em sua mão se estilhaça no soalho.
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Façam suas apostas
O desfecho do folhetim está guardado a sete chaves, ou melhor, por Ana Paula Chaves (;p), editora, e Rafael Arcanjo e Brunella Wyvern, autores. Nem mesmo o orientador da disciplina, Victor Gentilli, sabe qual é o verdadeiro final. Ele recebeu três diferentes, e aposto que também está curiosíssimo.
Pois é, "Vida Dupla" continua no próximo e último, emocionante, eletrizante e revelador capítulo. Enquanto isso, a gente rói as unhas.